A identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada continuamente

em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam (HALL, 1998, p. 13).

O desenhador, ao projetar uma identidade visual para um produto ou serviço, tem a ambição de captar todos os aspectos do objeto (ou pessoa) que ele representa através de técnicas linguísticas e desenhísticas e transformá-los em desenhos gráficos. E dessa forma estaria contribuindo para (e ao mesmo tempo modificando) a percepção do objeto ou da pessoa. Um projeto de identidade visual, geralmente, reúne identidades diferentes, formadas através da representação gráfica sob o teto de uma única identidade.

A personalidade de um produto resulta de tudo que conhecemos e sentimos em relação a ele. Assim, ao tomarmos contato com um produto, interagimos de forma complexa, dependendo tanto das características do produto, como da nossa própria personalidade. Além disso, essa personalidade não é estática. Ela sofre constantes mutações. Muitas vezes consideramos um produto como um ser amigável, higiênico, saudável e honesto. De repente, isso pode mudar e degenerar para desonesto, doentio e até mau-caráter. Isso depende de vários fatores, inclusive da evolução da nossa própria personalidade o do nosso estado de humor momentâneo.

Em uma análise semântica, uma simples palavra ou a forma de expressar ela através do desenho tipográfico pode evocar muitas imagens, pensamentos e sentimentos, dependendo dos conhecimentos e experiências pessoais de cada pessoa. E algo me diz que não foi apenas uma coincidência a Coca-Cola utilizar uma fonte tipográfica muito semelhante  ao logotipo novo da  Pepsi no decodificador do seu produto. Fica aqui um ótimo tema para discutirmos. Alguém quer acrescentar algo?

Diego Jucá

Desenhador