Aí está a Nossa Bandeira Nacional. Em tempos de Copa do Mundo é normal que o clima de patriotismo e otimismo tome conta do povo brasileiro. Alguns acham esse fenômeno muito importante para a população e outros creem no uso da política do Pão e Circo nesta ocasião. Nos cabe aqui apresentar algumas imagens e textos retirados do ótimo livro de Joaquim Redig sobre o maior símbolo de nossa nação, gostemos dele ou não. O livro chama-se Nossa Bandeira e traz estudos que Redig vem coletando desde 1985 a respeito do assunto e ao final sugere algumas alternativas de redesenho da bandeira nacional. A obra é um lançamento de 2009 da editora Fraiha e pode ser adquirida por uma média de R$ 75.00.

Todas as citações entre aspas e imagens abaixo são trechos da obra Nossa Bandeira.

“A força (do símbolo) faz a união (das pessoas)”

Aloísio Magalhães fora um dos primeiros que “percebeu os valores de percepção e memorização da nossa Bandeira, e a riqueza de sua geometria universal. Como consequência, foi o primeiro designer a “brincar” com a Bandeira, isto é, a redesenhar seus elementos retângulo, losango, círculo para identificar empresas e empreendimentos nacionais, como fizemos com a marca da Embratur.”

“Hoje, poucos ainda rejeitam a Bandeira Nacional, tal sua disseminação nas marcas, nos esportes, na moda, nos objetos e suvenirs, nas fachadas, nos muros, nas capas de revista penduradas nas bancas, no artesanato, e até nas artes plásticas. No exterior todos a identificam como a Bandeira do Brasil – estimulados por nossas frequentes vitórias no esporte nacional.”

Abaixo algumas breve considerações sobre o desenho da Bandeira. Lembrando que no livro tem MUITO mais coisa.

Sobre as Qualidades

Elementos

“Aloísio tinha razão, afinal nossa Bandeira é a única no mundo que se estrutura a partir dos 3 elementos geométricos fundamentais da linguagem visual: quadrado, triângulo e círculo.”

Ambivalência

“A ambivalência valoriza a leitura, nossa Bandeira é valiosíssima, já que todos os seus componentes oferecem dupla leitura, podendo cada um ser lido ora como figura, ora como fundo”

“Se a relação Figura/Fundo é rara nas bandeiras nacionais, onde predominam as faixas, que são Fundos sem figura, dificilmente ela atinge o grau de de ambivalência da nossa. Vejamos exemplos típicos:

Japão: Como a nossa, baseia-se em forma geométrica, e é também muito difundida e admirada, mas não apresenta ambivalência, só tem uma leitura: disco vermelho sobre retângulo branco.

Estados Unidos: Só o retângulo azul é ambivalente, funcionando ora como Figura sobre as listras, ora como Fundo para as estrelas.

Reino Unido: Também muito conhecida e admirada, tem 2 elementos ambivalentes: a cruz branca (Figura sobre o azul, ou Fundo para a cruz vermelha) e a área azul ( Fundo para a cruz branca, ou Figura triangular sobre Fundo branco) – eis aí uma das forças desta Bandeira!

França: Só tem Fundo, sem figura. Como é a Figura que carrega a mensagem, não o Fundo, o olho une automaticamente as 3 faixas num conjunto retangular que se transforma em Figura, separando-o do Fundo geral (o ambiente, o papel ou a tela)”

Autonomia da Forma sobre a Cor

“Os problemas de legibilidade revelam-se em preto-e-branco. A relação Figura/Fundo permite o reconhecimento visual do signo mesmo em situações críticas, embora comuns, como a falta de cores. Neste caso as cores servem apenas como realce de algo que já tem seu valor próprio. Já as bandeiras sem Figura, feitas com faixas, não resistem à falta de cor.”

Divisibilidade (Autonomia de suas partes)

“…se refere à capacidade de ser dividida em partes, seja por corte ou pela separação de seus elementos, sem perda do reconhecimento – quem sabe até ao contrário, reforçando-o!? Podemos literalmente picotá-la em pedacinhos, que, de tão bem estruturada, ela permanece inteira.

E aí, é ou não é uma baita aula esse material do Redig?