Texto

Rodrigo Grossini

Julho de 2009

Segundo Frascara (2006) “o Desenho de Comunicação Visual, visto como atividade é a ação de conceber, programar, projetar e realizar comunicação por meio da visão.” Esta mensagem pode ser transmitida por diversas linguagens gráfico-visuais. Uma ordem por exemplo pode ser transmitida visualmente por sua escrita alfabética, por um logograma ou simplesmente pela associação da cor vermelha com o formato de uma placa, como ocorre na sinalização viária. Um dos grandes desafios do desenhador que desenvolve um projeto de comunicação gráfico visual é fazer com que a mensagem consiga atingir o seu receptor da forma desejada. Redig (2005) diz que: “O produto resultante do projeto de Design se destina simultânea e indistintamente, a todos os que dele necessitam, para os quais o produto tem um determinado sentido, seja de caráter funcional, social, cultural”.

A  Teoria da Complexidade vê o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar para a construção do conhecimento. Segundo Edgar Morin (Introdução ao Pensamento Complexo, 1991:17/19): “À primeira vista, a complexidade é um tecido (complexus: o que é tecido em conjunto) de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados.

Esta visão de mundo proposta pela Teoria da Complexidade pode ser um caminho para o desenvolvimento de projetos de Desenho, que segundo Papanek “é o esforço consciente para estabelecimento de uma ordem significativa.”. Esta organização do conhecimento deve acontecer de maneira orientada por uma metodologia de orientação destes projetos. Atualmente o modelo de pensamento mais utilizado para a orientação destes projetos é fundalmentalmente embasado no princípio cartesiano de divisão do tema em partes fundamentais, tanto quanto for possível. Este pensamento é de grande valia para a elucidação das inúmeras variáveis de um projeto, porém, não é a única opção. No caso do desenho de um sistema de identidade visual por exemplo este desmembramento dos componentes é importante para identificar os subsistemas onde haverá a aplicação daquela identidade afim de projetar cada peça de acordo com a sua complexidade, mas mesmo assim garantir “o conjunto de características comuns, constantes e exclusivas das mensagens visuais de um determinado organismo” (FONSECA, 1990).

A Complexidade trabalha com diversos conceitos. A saber: auto-organização; amplificação por flutuações; artificialeza; autoconsistência; autopoiese; auto-semelhança; imprecisão; conectividade; construtivismo; correlação; criticabilidade; dialógica; diversidade; emergência; fluxo; imprevisibilidade; inclusão; metadimensionalidade; onijetividade; paradoxo; aderência; potencialidade; retorno; ressonância; rizomas; virtualidade.

O projeto de produto industrial pode incorporar muitos destes princípios para aumento da sua eficiência. Esta visão ampla da situação, do problema e do objetivo mostra-se como uma maneira desafiadora  para o alcançe da eficiência máxima de um produto industrial planejado, seja ele de comunicação ou não, por trabalhar com a multidisciplinariedade e com a multirelação entre as as partes do problema.

O Processo Criativo aplicado ao projeto de desenho industrial proposto por Gomes e Santos apartir da década de 80, e por outros autores em suas respectivas áreas, como Dualib e Simonsen Jr nos anos 70 (incorporavam o processo a orientação de campanhas de publicidade e pesquisas de mercado), apresenta-se como um meio de organização de projeto que lida com técnicas analíticas, onde o pensamento cartesiano é extremamente válido para a compreensão do problema, mas, ao mesmo tempo lida com princípios básicos da teoria da complexidade como a realimentação. Visto que dificilmente tem-se a compreensão total de um problema sem que haja uma exploração do mesmo, ao fazer-se isto, esta realimentação torna-se fundamental para a evolução desta compreensão. Pode-se aplicar isto como exemplo ao desenvolvimento de pictogramas para um sistema de sinalização. A exploração exaustiva das possibilidades de desenvolvimento dos mesmos e uma posterior verificação dos resultados pode gerar um novo fator determinante para a construção da unidade necessária à um projeto desta natureza. Ao nos depararmos com uma situação de dificil resolução em um projeto, pode ser que tenhamos que reorganizá-lo. Esta alteração pode ser oriunda de uma imprevisibilidade, ou paradoxo ou uma potencialidade verificada durante o processo.  Elucidando estes princípios ainda tendo como referência um sistema de sinalização, surgem diversos paradigmas que devem ter a sua relação considerada: a linguagem de comunicação pictográfica, a coerência geométrica entre os elementos gráficos; a proporção das placas; as dimensões industriais das matérias primas; a cultura comportamental daqueles aos quais a comunicação se destina, entre outras relações que podem ser descobertas com análises, por crítica ou por casualidade, ao decorrer do projeto.

Esta visão apartir da teoria da complexidade abre a possibilidade para a exploração de um problema projetual sob uma ótica extensa. Abaixo segue uma tentativa de relação destes princípios com situações prováveis em projetos de Desenho de Comunicação:

Auto-organização

Ao decorrer do projeto, os resultados vão gerando a a

organização

Amplificação por flutuações

A exploração de alternativas diferentes no desenho geram novas alternativas que ficam cada vez mais próximas de um resultado;

Artificialeza

Através de combinações de diversos elementos que se apresentam na natureza, geramos produtos industriais.
Autoconsistência

Conhecimentos específicos de Desenho embasando o produto de Desenho

Autopoiese

Constância de uma linha de embalagens gerada pela relação formal dos elementos

Auto-semelhança

Quando o resultado de um produto se constrói pela semelhança a ele mesmo em diversos níveis. Como no caso de uma família de ícones.

Imprecisão

Abertura de novas possibilidades de desenvolvimento de uma forma com o uso de material de desenho a mão-livre possibilitando a sua construção através da exploração da imprecisão deste meio.

Criticabilidade

A crítica ao próprio trabalho como geradora de melhorias.

Dialógica

Repetição de uma palavra em contextos diferentes. Pode-se utilizar na modelação verbal de um produto a ser desenhado.

Diversidade

Diferentes concepções sobre um determinado tema em uma equipe podem gerar um produto com uma riqueza de atributos conceituais muito variada.

Emergência

O aparecimento de novas idéias durante o projeto deve ser aproveitada de forma a melhorá-lo.

Fluxo

Dar continuidade às idéias pode aprimorá-las ou fazermos notar que não devemos seguir aquele caminho

Paradoxo

Um conceito contrário ao outro não deve bloquear o desenhador em sua busca pelo resultado. Ao contrário, é uma chance de ação da criatividade.

Potencialidade

Todas as idéias geradas possuem potencial para desenvolvimento. Algumas irão se destacar, porém, deve-se criá-las acreditando em seu potencial e posteriormente fazer o julgamento

Rizomas

Todas as variantes formam uma estrutura que se interrelaciona. Pode-se comparar a unidade visual das mensagens de uma corporação a uma estrutura rizomática. Elas devem possuir uma interrelação. Os meios impressos de expressão desta identidade devem ter relação direta com os meios, e todas as mensagens devem reforçar umas às outras.

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REDIG, Joaquim. Sobre Desenho Industrial (ou design) e desenho industrial no Brasil. Porto Alegre: Ed. Uniritter, 2005

FRASCARA, Jorge. El diseño de comunicación.Buenos Aires: Infinito, 2006.

GOMES, Luiz Vidal de Negreiro. Criatividade: projeto, desenho, produto. Santa Maria, sCHDs, 2001.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rizoma_(filosofia)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Autopoiese

http://michaelis.uol.com.br