Como estão vocês? Primeiramente gostariamos de informar que apesar da ausência no blog, estamos bem. Passamos por um tempo de ressaca intelectual – e por um porre de conceitos administrativos e financeiros no escritório – pois estruturamos nosso plano financeiro. Ausência justificada vamos ao que interessa.

A motivação para a reflexão que este post propõe está aí em cima. À esquerda é apresentado o redesenho da identidade visual da Feevale, que agora é uma universidade, situada na região do Vale dos Sinos – RS. Acompanhem abaixo o vídeo que mostra alguns critérios técnicos do Desenho.

Pois bem. Gostamos do processo. Mas o que nos chamou a atenção foram os comentários de que o resultado era muito semelhante ao da Vale do Rio Doce. Este comentário veio de algumas pessoas antes mesmo da análise sobre a evolução e o caráter funcional do resultado. Abaixo podemos ver as duas identidades.

E não é que as identidades apresentam alguns critérios técnicos bem semelhantes mesmo? Principalmente relativo à tipografia. Mas aí vem a questão primordial do reflexão: E aí? Qual é o problema disso? E mais ainda. Se essa similitude for um problema, como podemos evitá-la com 100% de eficiência?

A história é sempre a mesma. Todos os dias milhares de novas empresas nascem e de imediato ou com o passar do tempo algumas enxergam que precisam investir ou reinvestir no principal ponto de contato do consumidor com toda a filosofia da empresa – a Identidade Visual. E aí começam os problemas, pois quando se fala a palavra identidade possivelmente a primeira coisa que vem na cabeça é de algo único. Mas será que é esse mesmo o sentido da palavra? Vamos ao dicionário:

identidade
i.den.ti.da.de
sf
(lat identitate) 1 Qualidade daquilo que é idêntico. 2 Paridade absoluta. 3 Álg Espécie de equação ou de igualdade cujos membros são identicamente os mesmos, ou igualdade que se verifica para todos os valores da incógnita. 4 DirConjunto dos caracteres próprios de uma pessoa, tais como nome, profissão, sexo, impressões digitais, defeitos físicos etc., o qual é considerado exclusivo dela e, conseqüentemente, considerado, quando ela precisa ser reconhecida. I. pessoal: consciência que uma pessoa tem de si mesma. (Michaelis On Line)

Esta definição rápida e direta do dicionário já pode colocar uma série de conceitos em debate. Por que julgamos uma identidade visual pelo assinatura visual (conjunto símbolo e/ou logotipo) e condenamos quando esta é semelhante a outra? Está escrito alí na definição a expressão – conjunto dos caracteres próprios – e definitivamente apenas um símbolo e/ou logotipo não são a totalidade do conjunto que identifica uma empresa. De uma forma mais estruturada ou não, todos os bons projetos de Sistemas de Identidade apresentam um sistema de apoio gráfico ou no mínimo uma linguagem estética padronizada aplicada nas principais peças. Disso entendemos que as características podem ser semelhantes, mas o conjunto deve ser exclusivo.

Nota-se que os projetos de Identidade Visual talvez sejam os que mais sofrem com este tipo de avaliação de semelhança, porém, se pararmos pra pensar, praticamente tudo o que nos rodeia, desde as mensagens aos artefatos são semelhantes. Os carros, telefones celulares e computadores que utilizamos não diferem muito em forma do que os dos nossos vizinhos. Em alguns casos, o que muda mesmo é somente a marca que é estampada sobre a carcaça destes produtos. E assim vivemos felizes. Mas quando vemos uma assinatura visual semelhante à outra, mesmo que não seja de empresa de ramo coincidente, já juntamos as pedras do chão e nos colocamos em posição de ataque.

Ainda sobre a Vale, lembram do caso em que uma outra empresa processou a companhia por utilizar identidade semelhante? A notícia completa está aqui.“A empresa informou que “tomará as devidas providências no âmbito judicial em relação a semelhança das logomarcas”. De acordo com a nota, a logomarca da Vitelli foi requerida em 04 de dezembro de 2002, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Entretanto, a empresa ainda não tem o registro da marca, segundo a base de dados do INPI. O pedido tem uma oposição de uma outra companhia que também quer usar o nome Vitelli, informou o instituto.”

“A assessoria de imprensa do INPI informou ao G1 que, ainda que as marcas fossem idênticas, a legislação permite que duas empresas tenham a mesma identidade visual. “Não existe sequer afinidade entre os dois ramos (mineração, da Vale, e calçados, da Vitelli)”, afirmou a assessoria.”


Aqui cabe outra reflexão. Como que uma empresa cujo nome começa com V quer ter um símbolo sem nenhum semelhante no mundo. Não seria muita pretensão ou inocência? Ainda mais quando esta empresa não registrou nem ao menos sua marca em território nacional. Mas é claro, alguém aí nesse caso viu a possibilidade de enriquecer processando a Vale.

Estes parágrafos escritos acima tem apenas uma única intenção: Cutucar todo mundo que estiver afim de dar uma pensada sobre o assunto.

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Bons Desenhos!