Essa apresentação é um resumo do projeto de atualização e complementação do sistema de Identidade Visual da Fundação Bienal de São Paulo que foi iniciado com uma criação de uma área exclusivamente dedicada ao desenvolvimento de projetos de design dentro da instituição por ocasião da preparação da 29ª Bienal de São Paulo.

Atualizar e complementar a identidade da bienal e prepara-la para 29ª Bienal foi desde então seus principais objetivos. A preparação da 29ª Bienal de São Paulo esta adiantada. Preparamos a Identidade Visual em estreito contato com a curadoria e com o serviço educativo no final de 2009 elaboramos um conjunto completo de publicações e estamos finalizando o site e o projeto e sinalização do evento.

O sinal que da a identidade a bienal é o resultado de um concurso fechado promovido em 1965 do qual saiu vencedor o Desenhista industrial Aloísio Magalhães, um dos principais desenhadores/designers brasileiros pioneiro da profissão no País. Ao longo dos últimos 45 anos esse sinal vem consistentemente representando a fundação e é possível estimar que o seu reconhecimento seja amplo e disseminado o que justifica ao menos neste momento a sua manutenção.

Contudo as variações e inconsistências no uso desta identidade demostram com clareza que a bienal possui uma marca, mas não um sistema de identidade coerente, disciplinado e preparado para apoiar as suas atividades. As inconsistências acumuladas ao longo dos anos ocorrem em todos os âmbitos, nos impressos, fachadas, paredes e placas do edifício. As assinaturas aparecem com formas, cores e nomenclaturas divergentes, no entanto os desafios de um programa de identidade para bienal vão muito além da marca.


Em primeiro lugar é preciso assumir uma postura radicalmente comprometida com o preparo e a qualificação visual de seu edifício, um enorme complexo que abriga não apenas as bienais e sua administração, mas dezenas de outros eventos de grandes escalas que ocorrem todos os anos para os quais a fundação não está adequadamente preparada em termos ambientais. Em segundo lugar é preciso lembrar que a bienal é em si mesma uma instituição complexa responsável pelo conjunto pulsante de atividades que se espraiam por diversas áreas passando pela preparação das bienais, por projetos especiais, pela capitação de recursos e por muitas outras que necessitam do apoio de ferramentas de comunicação consistentes e eficientes.

A identidade concebida por Aloísio Magalhães foi apresentada simultaneamente como um sinal gráfico e como uma escultura. Seu olhar aguçado produziu um ícone fecundo das possibilidades das vertentes construtivas da arte brasileira.

Os registros jornalísticos da época que incluem a própria escultura como identidade e duas versões corretamente orientadas do símbolo mostram também uma versão muito importante do sinal oficialmente divulgada pelo desenhador, onde o desenho ao invés de estar contido num círculo reproduz o contorno da escultura numa forma única e original.

Começamos o nosso trabalho procurando reencontrar os princípios rigorosos que orientaram a construção da marca original.

Utilizamos as insipientes grades construtivas disponíveis para reencontrar seus princípios proporcionais, todos cuidadosamente e curiosamente oriundos do número “seis” que é o mesmo número de letras no nome “bienal”.

O resultado desta reconstrução embora muito parecido como sinal atual recupere a força das linhas internas do desenho que ficam mais bem proporcionadas e mais nítidas  em tamanhos pequenos.

Feita a reconstrução procuramos estudar qual seria a melhor forma de recuperar a coesão entre o desenho original e sua escultura. Descobrimos que a simples retirada da contra forma resultava numa forma parecida com a letra “G” o que contradiz a própria essência do sinal baseado na partícula “BI” de Bienal.

Isso talvez explique o porquê dessa versão nunca ter sido utilizada e também porque ao procurar dar coesão circular ao sinal Aloísio tenha selecionado duas cores pouco contrastantes, entretanto basta substituir a forma cheia pelos contornos da escultura para que a sílaba “BI” e a escultura reapareçam num resultado formal e graficamente muito superior. Marcas em forma de círculo existem aos milhares, desenhos originais e únicos como esse muito pouco.

Curiosamente o caminho mais virtuoso para a marca hoje é aquele que mais se aproxima de sua versão original. Um breve exame das lombadas dos catálogos das últimas bienais mostram outras duas curiosidades: A primeira é que a versão colorida da marca é abandonada sempre que ela precisa conviver com outras informações visuais tais como identidades gráficas ou obras de arte colocando em cheque a força pública e a pertinência do uso de cores na marca; A segunda é que o círculo cheio é muito mais fraco que o sinal construído com os contornos da escultura tanto visual quanto simbolicamente.

Essas foram às razões que nos levaram a recomendar que esta versão passe a ser adotada como símbolo oficial da bienal de agora em diante.

Há, contudo outra questão fundamental a ser considerada que desrespeito ao seu nome. Hoje o extenso nome “Fundação Bienal de São Paulo” é usado para identificar a instituição, mesmo assim ela é conhecida por diversas outras alcunhas tanto no Brasil quanto no exterior. Qual delas é a mais adequada? Para responder a isso é preciso considerar que a bienal conseguiu um feito raro no mundo das marcas que é transformar um substantivo comum em um nome próprio.

De um modo geral, Bienais são bienais de alguma coisa, a bienal de São Paulo não. Para ela o nome bienal é suficiente mesmo fora de contexto. Esta característica é altamente valiosa para sua marca e deveria ser  preservada e enfatizada ao máximo. Por essa razão recomendamos que a versão oficial da assinatura da Bienal seja composta apenas pelo sinal de contorno e pelo nome Bienal sem qualquer outro complemento.

O nome completo da fundação é claro, deve continuar a ser utilizado para identificar corretamente a razão social da instituição em seus dados de endereçamento e em outros textos. Antes de finalizar o nosso raciocínio contudo é preciso considerar  uma última questão. Como vimos o sinal da bienal é uma obra plástica que surge da abstração da partícula “bi” grafado em minúsculas e indica a periodicidade do seu principal evento. Associar o sinal ao nome bienal com inicial maiúscula enfraquece esse vínculo e contradiz o princípio segundo qual uma identidade deve reforçar-se a si mesma ao máximo.

Nossa proposta, portanto, é muito simples, adotar o sinal com os contornos da partícula “bi” associado ao nome bienal grafado em minúsculas como núcleo da sua identidade. Uma forma original  acompanhada por  um nome  que é um patrimônio de marca e que a reforça.

De agora em diante a bienal passará a adotar três composições para as suas assinaturas: A horizontal que é a preferencial, a central que é adequada para aplicações em espaço de aplicações quadrada e a vertical perfeita para lombadas e outras aplicações verticais.

Essas composições dotarão a bienal de maior flexibilidade nas aplicações da identidade e em alguns casos com resultados surpreendentes.

A aplicação da assinatura vertical na fachada é um desses casos superando em força e visibilidade a aplicação atual a assinatura reforça a si mesma e a fachada da bienal pelo uso consciente das proporções presentes no edifício. O mesmo raciocínio de construção das assinaturas facilitará a identificação de espaços e iniciativas especiais dentro da bienal eliminando profusão e o conflito de identidades que a enfraquecem.

Embora a assinatura principal seja composta apenas pelo sinal e o nome bienal, dois outros formatos especiais poderão ser usados em contextos internacionais: O primeiro deles que é preferencial traz o nome da cidade, o segundo previsto apenas para casos muito especiais pode usar o nome traduzido da bienal na língua que a comunicação se destina. É a bienal preparada para o Brasil e para o mundo.

Finalmente uma última observação: De um modo geral recomendamos também que as principais aplicações da marca sejam feitas em negativo, além de torna-la mais luminosa e próxima da escultura original o uso do negativo é muito benéfico do ponto de vista ambiental, digital e gráfico.

No claro ambiente do edifício projetado por Oscar Niemayer com sua transparência e seus enormes planos brancos o uso de suportes volumétricos escuros facilita a identificação de sinais e valoriza o próprio edifício.

Já o meio digital o uso de fundos escuros privilegiam na luminosidade das imagens que enfatizam a força da instituição vibrante na qual a bienal se transformou.

Finalmente, os usos de invólucros de impressos escuros tendem a ressaltar a marca da bienal contrastando elegantemente com a claridade dos papéis que a contém.

Ao fim e ao cabo, temos a sensação que o trabalho que apresentamos aqui, reforça uma das imagens mais célebres de Aloísio Magalhães a metáfora da história como estilingue recuando aos primórdios da implantação da identidade da bienal nossa pesquisa  nos deu impulso de que necessitávamos  para projetar a instituição com força em direção ao futuro virtuoso que agora  se desenha com mais nitidez

Design Brasil – Junho de 2010

Projeto: Design Bienal

Coordenação: André Stolarski

Pesquisa e Desenvolvimento: Aninha de Carvalho e Felipe Kaizer

Webdesigner: Victor Bergmann

Estagiários: Fernando Petrich e João Parenti

Apoio à pesquisa: Arquivo Histórico Wanda Svevo

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