Estas figuras, como não tem significado refereido a algo externo à imagem, só podem ser entendidas como construções formais. Antes porém de serem apresentados os referenciais descritivos e analíticos para sua compreensão, cabe uma observação sobre as duas possibilidades de leitura da imagem gráfica abstrata, que são:

a)      Quando ela apresenta tridimensionalmente;

b)      Quando ela apresenta bidimensionalmente.

Na medida em que a maioria das marcas abstratas apresenta-se bidimensionalmente, não houve detalhamento d construções volumétricas. Vale apenas lembrar que a representação da tridimensionalidade vai da figura de um sólido à figura plana com volume. Neste segundo caso, a figura, além de ser tratada e analisada como imagem de sólido, deverá sê-lo também quando a seus elementos bidimensionais.

Composição da figura abastrata

Com mais razão do que figura imitativa, a figura abstrata é percebida inicialmente como totalidade. A unidade conferida pela proximidade entre os elementos gráficos de uma marca imitativa pode ser eventualmente contestada pelo conceito(s) correspondente. Já com as marcas abstratas, a lei da percepção visual segundo a qual a primeira percepção é a da totalidade, ocorrendo num momento posterior à identificação de partes, se evidencia mais claramente. Nas duas configurações abaixo isto facilmente se demonstra: a percepção da diferença entre elas vem antes do que o reconhecimento da semelhança entre os elementos que as constituem.

A totalidade de uma marca é aprendida sinteticamente. Em um segundo momento pode vir a ser percebidos pedaços destas totalidades. Pedaços que não têm autonomia como figura de contorno contínuo dentro da marca são chamados partes. Caso isto ocorra os pedaços são chamados elementos. Deve ser salientado que “elemento” neste texto não deve ser confundido com elemento geométrico (ponto, linha etc.), embora também possa designar os elementos geométricos.

Visando a descrição e a análise das figuras abstratas, se impõe o cruzamento de referências formais de naturezas diferenciadas, que são:

a) Simetria ou assimetria de partes ou elementos;

b) Malha de construção;

c) Forma externa da totalidade;

d) Identificação de partes ou elementos.

SIMETRIA

A simetria é uma correspondência em grandeza, forma e posição relativa de partes ou elementos situados em lados opostos de uma linha ou distribuídos em volta de um centro. Existem dois tipos de simetria: por espelhamento e por rotação.

Na simetria por espelhamento as partes ou elementos encontram-se rebatidos entre si como figuras e sua imagem refletida em espelho. Dependendo do número de eixos ou semi-retas que organizam a simetria, apresenta as seguintes ocorrências:

A – Simetria por espelhamento de partes ou elementos em relação a um eixo imaginário, que pode ser vertical, oblíquo ou horizontal.

B – Simetria por espelhamento de partes ou elementos dispostos dois a dois em relação a quatro ou oito semiretas imaginárias, originárias de um único ponto e que dividem o espaço em ângulos iguais.

C – Simetria por espelhamento das partes ou elementos em relação a seis semi-retas imaginárias, originárias de um único ponto e que dividem o espaço em ângulos iguais.

D – Simetria por espelhamento de partes ou elementos com relação a dez ou mais semi-retas imaginárias, originárias do mesmo ponto e que dividem o espaço em ângulos iguais.

A simetria é uma característica que pode ser observada em algumas formas geométricas, equações matemáticas ou outros objetos. O seu conceito está relacionado com o de isometria (e às operações geométricas associadas: reflexão, reflexão deslizante, rotação e translação).

Na simetria por rotação, as partes ou elementos dispõem em torno de um ponto e apresenta deslocamento em que este ponto está na mesma posição relativa para cada parte ou elemento. Na dependência do número de eixos da simetria, ou do número de ângulos iguais em que o espaço é dividido a partir do ponto, esta simetria apresenta as seguintes ocorrências:

A – Simetria por rotação de 180° de partes ou elementos em torno de um ponto central imaginário.


B – Simetria por rotação de 120° de partes ou elementos em torno de ponto central imaginário

C – Simetria por rotação de 90° de partes ou elementos em torno de um ponto central imaginário.

D – Simetria por rotação de 72°, ou outro ângulo submúltiplo de 360°, de partes ou elementos em trono de um ponto central imaginário.

Qualquer figura que não se enquadre em nenhuma dessas ocorrências será considerada assimétrica. No entanto no caso em que apenas um elemento, ou uma pequena parte, quebre a simetria do símbolo, para efeito de análise ela será considerada simétrica.

Malha de construção da figura


Este referencial diz respeito  a uma trama de linhas imaginárias sobre as quais poderiam ser traçados todos os segmentos, existentes ou sugeridos, que compõem uma figura. Podem ser apontados cinco tipos de malha:

A – Malha composta por retas em duas direções, perpendiculares ou oblíquas entre si.

B – Composta por retas em mais de duas direções.

C – Malha composta por retas em duas direções perpendiculares ou oblíquas entre si e linhas curvas.

D – Malha composta por retas em mais de duas direções e linhas curvas.

E – Malha composta por linhas curvas.

Como pode ser visto nos exemplos, se o corte perpendicular de uma faixa, ou a terminação de várias linhas ou faixas caracterizar uma direção, esta deverá ser considerada na malha.

Outro critério para a identificação à não consideração das curvas de concordância entre dois segmentos retos que tendam a ser percebidas como simples encontro dos dois segmentos retos. A adoção deste critério é decidida pela comparação da figura com duas outras: uma com o(s) ângulo(s) reto(s) e outra com a(s) curva(s) acentuada(s). A semelhança maior com uma ou outra opção orientará, respectivamente, a não consideração ou a consideração da curva, A se identifica com B.

Forma externa da totalidade da figura


Segundo a forma externa uma figura pode ser considerada aberta ou fechada. A primeira não tem um perímetro, sendo  pois um segmento de linha. A segunda, em função do número de lados, da regularidade e do tipo de ângulo, pode ser classificada utilizando-se os parâmetros abaixo.

A – Está tratando de figuras finitas, logo se lida com segmentos de linhas. Como existem aquelas linhas geradas por um ponto movimentando-se em uma mesma direção ( linhas retas) ou em direção variáveis ( linhas curvas), igualmente existem segmentos retos  e segmentos curvos.

B – Uma série de segmentos de retas ou de curvas consecutivos que se fecha forma um polígono. A sucessão de segmentos constitui uma linha poligonal, que pode ser reta, curva ou mista.

C – Dependendo do número de segmentos definem-se os tipos de polígono (triângulos, quadriláteros etc.).

D – Um polígono é convexo quando não pode ser cortado por uma reta qualquer em mais de dois pontos pertencentes ao seu perímetro. Um polígono é côncavo quando pode ser cortado em mais de dois pontos pertencentes ao seu perímetro ( ou cortado em dois pontos e tangenciados em um terceiro).

E – Um polígono é dito regular quando possui todos  os lados e todos os ângulos iguais. É semirregular quando possui algum tipo de simetria, implicando em alguns lados e ou ângulos iguais. É irregular quando possui lados e ângulos diferentes.

Caso falte apenas um pequeno segmento para o fechamento da forma a figura deverá ser considerada fechada. Como critério auxiliar pode se comparar a figura original com duas outras semelhantes: uma fechada e outra mais aberta. A semelhança maior orientará a classificação quanto ao fechamento ou abertura.

Identificação de partes ou elementos

Considerando a distinção entre segmentos de linhas abertos e segmentos fechados limitando superfície, temos  que a primeira operação de identificação de elementos  ou partes trabalha com a generalização da linha e do plano geométricos

Uma linha gráfica sempre te largura (por menor que seja) podendo, pois, ser considerada superfície. No entanto, desde que se mantenham os significados de linha ou faixa, através de uma relação em que a largura seja menor do que o comprimento (e por isso denominada largura e não altura), a figura ou elemento assim deve ser nomeado. Seguem alguns critérios para esta distinção:

Quando à quantidade de segmentos e superfícies, temos que a sua contagem não apresenta problemas quando se trata de superfícies e segmentos retos. No caso dos curvos, devem ser contados a partir da quantidade de raios identificados.

Os segmentos se associam graficamente segundo as seguintes possibilidades de relacionamento:

A – Segmentos soltos agrupados

B – Segmentos consecutivos

C – Segmentos com entroncamento

A o se falar em segmentos está implícito que se trata de segmentos abertos. Mas haveria também a associação de segmentos abertos e segmentos fechados

Outro critério para a definição de partes ou elementos diz respeito à identificação de alguma ideia de ação sofrida pela forma, caracterizando estruturas particulares a partir de tipos de arranjos. Temos assim:

A – Espeiral

B – A repetição

C – A combinação

A ideia particular de repetição se apresenta tentando mais para a superfície ou faixa do que para a estrutura formal diferenciada; se confunde com a ideia de decoração geométrica.

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Compilação para estudo  de:

Lessa, Washington Dias. Dois estudos de comunicação visual. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995.