por Rodrigo Grossini – rodrigo@desenhantes.com.br

Apaixonado por carros e por Desenho, apresento aqui um apanhado bem rápido sobre como as duas coisas podem se unir de uma forma bem inteligente: Através dos logotipos dos carros.

Olhe para a traseira de um automóvel e lá em algum lugar possivelmente encontrará o nome do carro entalhado em um emblema geralmente metálico. Raros são os casos em que além deste logotipo, será encontrado um símbolo que componha a identidade visual do veículo, como no caso acima. Geralmente os nomes dos automóveis são apresentados apenas em logotipos. Abaixo apresento duas espécies deles. Os particularizados, geralmente coerentes com o desenho do carro e os padronizados (não sei se é a melhor expressão), onde o que prevalece é a idéia de linha de veículos de uma mesma montadora.

Em um exercício bem rápido trago 3 bons exemplos de logotipos particularizados e um exemplo de logotipo padrão para nossa taxonomia.

Ford Ka

Ame ou odeie, o Ford Ka foi um desenho bem concebido e pensado nos mínimos detalhes. O desenho dos faróis lembra o desenho dos vidros, que lembra o desenho das sinaleiras traseira, que lembra o desenho lateral e assim por diante, chegando na representação do nome do ícone da segunda metade da década de 90 da Ford.

Novo Uno

Esse é outro que não precisa de muita explicação. Estes quadrados de cantos arredondados estão presentes em todo o desenho do automóvel. Os 3 furos na grade frontal do veículo são como uma marca registrada e estão presentes no logotipo do carro. Ponto pra Fiat que com os simples conceitos de repetição e assimetria (no caso da grade) conseguiu fazer um carro que já nasce com um desenho imortal (bem ou mal, será lembrado como o Ka). A outra grande sacada é que utilizando os quadrados com cantos arredondados no logotipo, a Fiat não precisa mais nem escrever UNO ali dentro.

Punto

Aqui já temos um conceito um pouco diferenciado. O desenho do logotipo não necessariamente remete às linhas do carro, mas sim às suas características, de carro aparentemente veloz e jovial. Mais do que isso, reparem que o P tem um desenho de dupla interpretação. Podemos ver tanto um motorista literalmente “grudado” no banco do carro, devido à postura referida pelo desenho. Em resumo, um piloto. A outra interpretação possível é vermos o P como um ponto de interrogação, sem a bolinha embaixo, mas acima do caractere, subvertendo as coisas.

Logotipo padrão – Exemplo Volkswagen

Observem que as montadoras também utilizam do artifício da padronização da escrita do nome dos carros. Seria isso preguiça de desenhar um logotipo exclusivo? Muito provável que não. Essa homogeneização não deixa de ser uma estratégia. Volks, Chevrolet, Renault, usam muito deste artifício. A ford também, mas manteve o logotipo do antigo Ka no atual, mesmo que o desenho do novo modelo não tenha praticamente nenhuma conexão com o desenho antigo. Vejam bem, tamanha foi a força que este logotipo ganhou, não foi alterado.

A Fiat talvez seja a menos conservadora e apresenta o nome de praticamente toda sua linha de carros escritos de maneira particularizada.

Este texto não se propôs a entrar profundamente em questões de anatomia e legibilidade dos tipos. A intenção é somente despertar a atenção de quem ler para o fato de que há desenho realmente em tudo. Diria que isso dá um bom estudo, não acham?

Bons desenhos à todos.